sexta-feira, 23 de outubro de 2009

ausência

Sentir nas pontas dos dedos a ausência, é possível? Perfeitamente. É uma pergunta? Verdadeiro. Gesto de deslizar digitais. Pode estar no odor, essa ausência. Pode estar no vapor da pele, no espelho do roupeiro que registra a cena da cama. A cama. Que concentra um corpo só, parece aberta. Aguarda, uma tranquilidade, irrequieta. Contempla teto; paredes não falam – duvido que ouçam. Escute o que eu digo: o silêncio é mortífero, ao coração; não sei, não; o silêncio me atrai; depois mata. A sede. Parece que é sempre de madrugada; que nada, são seis da manhã! acorda, dei folga pra empregada! Meu vício é limpar os cantos, que cada canto tem a sua coisa; esta lá, entalada, esperando por dizer. Um dia vem à tona toda sujeira do tapete. Eu passo por cima; não quero nem saber; já vou logo avisando. Que é pra não haver mal entendido. Eu não prometi nada. Nem acreditei em nada. E agora sou, sozinha.

8 comentários:

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Que bom que foi ver a Priscila no Começar de Novo! Sentia a ausência...esperava a qualquer hora a presença...preenchia essa ausência com a presença aqui neste blog, onde a minha ausência não se sente, porque a minha presença é constante; comento para manifestar a presença; sem esse acto sentir-se-ia a minha ausência. Creia...a minha presença é diária, ou melhor, praticamente não há ausência aqui; faço questão de sempre passar, ler e reler e se possível a minha impressão deixar.
A ausência será curta, talvez amanhã volte a presença. Um beijinho
Emília

Graça Pires disse...

Sentir a ausência. Deixar que o corpo inteiro a destrua...
Um beijo.

.Leonardo B. disse...

[a palavra, na ausência, ganha uma dimensão que trespassa o espelho, onde apenas as alma se reflecte, o corpo ganha contornos de invisibilidade... a palavra permanece, onde a ausência contagia o palco onde todas as presenças convocadas se ocultam por detrás dos panos, na escura escuridão, encenada... precisamente, na palavra]

a ausência é incómoda? tantas as presenças que o deveriam ser... o que podemos querer quando queremos?

Um enorme e transtlântico abraço

Leonardo B.
Bizarril

Márcio Vandré disse...

Ausência pode ser sentida em qualquer ambiente.
Seja da batida opaca de uma gota que encontra ao chão, ao lamento de um violão...
Ausência...
Portas abertas e casa vazia.

Um beijo, Priscila!
Não aprendi a ferramenta do e-mail ainda, mas vou tentar lograr êxito nesse meu intento.
:)

BAR DO BARDO disse...

Solidão é quase sempre plural...

bossa_velha disse...

Gostei muito!

wilson gorj disse...

Olá, Priscila. Devolvo a visita com igual apreço. Aqui presente, admiro sua "ausência".

Abraços.

Marcelo Novaes disse...

Perfeitamente possível.


E de uma árida coerência.






Beijos,










Marcelo.