sexta-feira, 12 de março de 2010

sinto que

Lembro-me de que abrira a porta só pra sentir a respiração do dia. Encontrou silêncios no meu quarto que varreu discretamente para baixo. Você sabe que está ali comigo, você sabe desde o início. Eu disfarço que, bocejante. Como se de mim tranquila, me espreguiço à beira de um sentimento contorcido. Penso que é bom dia: bom dia, amor - não digo. Penso nisso o dia inteiro até dar boa noite, meu bem, estou indo. Compro doces que não dou. Decido que como todos menos um. Enfrento a vitrine da floricultura num shopping. Não sei que flores querem dizer que. Disfarço um presente sem papel, acho mais fácil assim. A entrega não é fácil, nunca foi pra mim. Agora deslizo do sofá para o chão, abraçando. Estou armando um sorriso, talvez desague. Você aguenta. Você aguenta por nós, por dois - você tenta ser mais: eu acolho todos que é. Somos infinitos ali, desfilando corpos conjugados (e espaços em branco que a mente procura ocultar pra nos deixar pensar o que quiser). Eu sou tua, eu sou tua - é meu grito. Mulher! Mulher!

5 comentários:

Mai disse...

É bom sentir... e depois um ar blasé e tudo freme.
Muito bom!
abraços e bom final de semana

Enzo de Marco disse...

Olá moça decsulpe a demora, andei um pouco ocupando com algumas atribulações da minha labuta diaria...
Como sempre supera a minhas espctativas e cada dia traz algo de extremo sentimento nos seus escritos, gosto de cosas escritas com verdade, coisas escritas com suor,sede, amor e muitas vezes sangue.
È escritores são sempre assim ....
bjs

Geraldo de Barros disse...

Nossa, Priscila, que encanto, seus textos são de uma poesia incrível, tão lindos, parabéns!

Beijos,
Geraldo.

Julia disse...

Os doces, é mentira, eu não comi nenhum. Estão aqui guardados embaixo do sofá e é para eles que eu digo "bom dia, amor" todas as manhãs. Por volta da hora do almoço, embrulho um dos doces com um papel que nem existe, só minhas mãos sabem dele. No fim da tarde, aí sim, deslizo do sofá para o chão em busca de doçura. Encosto um dos doces em meu ouvido, porque eu queria ouvir você. Coloco a língua no doce, porque eu queria sentir você. Eu sou sua, eu sou sua... Sinto a respiração da noite. Armo um sorriso, talvez desague.

Sinto que,

ainda que,

boa noite, meu amor, estou indo.

Priscila disse...

arrebatadora, como sempre.