segunda-feira, 17 de maio de 2010

cachorra

Ou então não seria feliz com mais ninguém.

Via que voltar era um caminho se apagando. Farejava os espaços agora ocupados por outras pessoas; não reconhecia um cheiro que lhe tivesse pertencido. O cheiro do seu dono. Não era saudade, não era nem isso! Era aquela coisa que fica até chato falar porque não se sabe o que é pior: ouvir ou ter confessado, o apego. Um dia fugiu de casa, foi assim. Não sabia que fugiria; não sabia nem que estava indo a algum lugar e, portanto, voltar era algo que não havia cogitado. Quando viu, já era noite. Sentiu-se acolhida em tudo que era barzinho, lanchonete, balada. Ninguém mandava nela, ali, gostavam dela assim. E várias pessoas lhe ofereceram onde ficar, lhe fizeram carinho, brincaram com ela. Tanto que ficou mais um pouco. Dois dias no máximo. E voltou porque voltava, simplesmente. Talvez voltasse pra compartilhar com ele uma alegria que era só dela. Talvez porque apenas uma dose daquela droga de liberdade tivesse sido suficiente. Talvez, ainda, porque ele precisasse muito mais dela, e já devia estar sabendo disso. Ou...

4 comentários:

sidnei olívio disse...

Simplesmente magnífico. Beijo.

Mai disse...

Analogias cotidianas. A vida que vaga e se engendra assim, naturalmente. Como gosto do que escreves...
abraços e boa semana, Priscila.

Francisco Sobreira disse...

Priscila,
Agradecendo sua visita ao meu blogue, lhe digo que saio do seu com uma boa impressão.

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

...ou...por qualquer outro motivo; nunca temos a certeza por que vamos...por que de repente sentimos necessidade de voltar...de ficar; há qualquer coisa que a um dado momento nos diz para partirmos, mas há como que um bichinho a dizer-no que vai ser difícil, que é melhor ficarmos onde estamos; talvez precisemos do aconchego do nosso lugar, talvez aqui seja o nosso lugar, talvez haja quem de nós precise, talvez...

A vida nunca é uma certeza..são aos montes os " ou", os " talvez", os " será?. Agora eu tenho a certeza que voltarei aqui, mas...pode ser que a vida não deixe.Se deixar....
Um beijinho
Emília