terça-feira, 26 de janeiro de 2010

esse cara

Ele vai te levar a lugares lindinhos com vista pro mar, e vai te contar um trecho da infância - se você puder reparar, verá seus olhos brilharem ao falar da avó materna. Depois ele te beija, e te olha te olha te olha, e desvia. Você vai sentir uma coisinha na alma, caindo, sem nome - vai se lembrar disso na hora e assustar-se com a possibilidade; mas antes que tenha medo, ele te abraça, e diz que adora o teu cheiro, o teu cabelo, sei lá, me acalma. Ele vai te ligar no dia seguinte; talvez aguarde até o final da tarde - não se desespere, ele é do tipo que liga, manda mensagem, e-mail comentando sobre aquela banda que, aliás, estará aí, fazendo um show. Ele não vai te convidar, mas preparará todo o cenário pra que você simplesmente diga "vamos", e ele vai com você; conhecer suas amigas, ele vai, se senta, bebe com elas, serão amigas dele. Ele vai dormir na sua casa, levar um dvd, um cd que ele adora, algo pra compartilharem - algo pra ser de vocês. Ele vai embora, mesmo tarde ou cedo, ele sempre vai, e você irá se questionar se é de verdade, e ele irá dar sinais por mensagem de texto. Ele tem um jeito bem interessante de ser carinhoso. E se você souber o seu jogo - como eu estou dizendo - e se seguir com isso em frente, ele vai ser só seu, como ele já foi só meu, e eu vou ficar sozinha, agora, por um tempo, porque ele é insubstituível.

10 comentários:

Enzo de Marco disse...

OLÁ Senhorita, como esta ?! Adorei este Texto e já te add no link viu. Um abração

A Moni. disse...

Eles vêm com fórmula.
Poderiam até ter manual de instrução. E sabe, eu acho que os têm.
A gente é que não tem. Esquece as regras do jogo logo na primeira fase. Ou então, se empolga porque tá ganhando e de repente...game over.

Boa a ressalva que você deixou escapolir no final. Diferente do senso comum, TODO MUNDO é insubstituível. Mas só por um tempo...

Adorei, Pri!

Beijos!

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

A ideia é compartilhar, mas é difícil isso; são difíceis os relacionamentos; temos que saber o jogo deles, eles têm que saber o nosso; é dificil e requer experiência para sabermos que jogamos no mesmo campo, mas não temos os dois de chutar para a mesma baliza; isso é que é difícil de entender; eu sou um indivíduo e ele também; estamos juntos, mas não precisamos de ser um só, isso é utopia; somos um mais um que tentam jogar na mesma equipe, mas forçosamente as funções dentro do campo e o estilo de jogo são diferentes; eu tenho 34 de relacionamento...até hoje temos alguma dificuldade em aceitar que ele use mais o pé direito e eu chute mais com o esquerdo. Neste campo, a cada instante se joga; ainda há muitas faltas, cartões amarelos e até vermelhos; tem havido alguma sabedoria em arbitrar este jogo e ele lá vai indo. Beijinhos , Priscila e não preciso de te dizer que adorei, não só este, mas os outros textos que li.
Emília

Mai disse...

So - game is over...Você brinca e faz o que quer com o texto. Que fazer, rasgar manuais?
Abraços, Priscila.

Dora Regina disse...

Obrigada por sua visita comentada no meu espaço, volte sempre!
Gostei muito do que li, seu texto é bem interessante.
Um grande abraço!

Roselaine Funari disse...

adoro.

teus textos transbordam
imagens e sensações.

maravilha!

Andarilho disse...

Wow, esse texto ficou excelente, insubstituível!

Vieira Calado disse...

Venho agradecer a sua gentil visita ao meu blog.

Beijinho

C. disse...

Moooça, adorei as tuas palavras e o teu blog.

Um lugar onde é possível "transformar-se em outras."

;)

Fred Matos disse...

"E se você souber o seu jogo - como eu estou dizendo - e se seguir com isso em frente, ele vai ser só seu, como ele já foi só meu, e eu vou ficar sozinha, agora, por um tempo, porque ele é insubstituível."

Texto maravilhoso, Priscila.
Parabéns!

Beijos