quinta-feira, 16 de julho de 2009

Quando pensei este blog, não havia em meus planos falar-lhes diretamente. Não havia um plano, apenas uma idéia esvoaçada de que postaria algumas coisas. Mas logo em seguida, cobraram-me participação nos concursos literários, e eu percebi que era chegada a hora. Porém, na maioria deles, há obrigatoriedade de ineditismo para participar, e eu não tenho assim uma obra tão vasta para abraçar tudo e ainda criar postagens. Por isso, confesso agora, que boa parte dos textos aqui postados já não era inédita. É isso mesmo: se vocês são meu concurso, e se esperavam de mim o ineditismo, terei de ser desclassificada. Não posso comprometer-me agora com tantas exigências; simplesmente porque não posso exigir de mim textos que me satisfaçam, quando no fundo sei que estão sob encomenda. Encomendados com tema livre, é claro, mas ainda assim presos a uma finalidade; atrelados a um objetivo que é meu, não deles. Não é justo comigo nem justo com eles, nem tampouco é justo com o leitor, que não quer passar por aqui e ler qualquer cuspe literário meu.

Então, onde quero chegar? não enxergo o que há pela frente, e portanto não posso escolher que lugar, dentre aqueles, quero chegar. Por ora, digo apenas que devo continuar postando. Que ontem à noite eu escrevi quatro contos seguidos, e gostei de todos - e, claro, isso foi ontem. E que me perdoem se sentirem que não estou dando tudo de mim. É que não estou mesmo conseguindo juntar esse tudo de mim para espalhar por aqui. Ainda estou me pensando.

(e talvez eu nunca esteja pronta)

6 comentários:

Gato Vadio disse...

Por mais que veja vantagens na situação, eu não consigo me ver num concurso literário. Embora vencedor de (vários) concursos públicos - onde o sucesso atrela sua vida ao comodismo da estabilidade - o conceito que faço da literatura em si é diferente e dispensa hierarquias ou concorrências para saber "se X >/ que Y,# X = -$" (traduzindo: X é maior ou igual a Y, tal que X [representa então] situação capitalizada). A iniciativa cultural que hierarquiza capacidades (ao meu ver) deve ser vista com severas reservas. Um abraço, amiga Priscila.

nina rizzi disse...

ho ho ho!
tou contigo.

e já havia lido num zine isso
"pra que publicar
vc já me lê aqui".

mas ó, afora os concursos com essas "verdades" de "melhores", eu quero... rs..

beijo :)

Antonio disse...

Como se julgar arte ? quais são os critérios?como se julgar uma alma ? não se sinta em julgamento, apenas se exponha. Obrigado pela visita ao meu blog...

Carmen Martinez disse...

não se preocupe. todo casamento tem sua crise dos anos e todo blogueiro tem sua dúvida existencial... há de ser linda de qualquer forma.

Guilherme disse...

Eu tanto como você me sinto em mesma situação nos confins dos concursos. Eu também não consigo muitas vezes consciliar os afazeres do blog, com a "disputa" literária!

Gostei muito do seu texto...

Estou louco para ler seus contos! Você tem uma escrita refinada, pulsante...

Vou sempre me perder por aqui!

beijos
Guilherme

Ramon Alcântara disse...

Lindo texto, brinca com desabafo e literatura. Metapoesia com qualidade.

Ah! Se fui enganado pela curva poética e é realmente um desabafo... concordo plenamente! Aos poetas, nada de lei!